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  AIDS
Histórico
A Aids foi detectada no início da década de 80, pelos pesquisadores do Center of Disease and Prevention Control (CDC), em Atlanta, nos Estados Unidos, quando foram notificados os primeiros casos de pneumonia e de câncer raros, em homossexuais masculinos. A mesma doença foi observada em usuários de drogas injetáveis. Os médicos suspeitavam que se tratava de uma nova doença não classificada e altamente transmissível.
A principal característica da moléstia era a sua grande multiplicação viral, o que levava à diminuição progressiva dos linfócitos (células CD4). Os casos da doença foram notificados também na Europa e na África, e posteriormente em todo o mundo.
Evolução
A doença tem três fases distintas. Os primeiros registros nos dizem que no início da década de 80, as infecções ocorriam exclusivamente em homens homo e bissexuais, com elevada escolaridade. Na segunda fase, de 1987 a 1991, houve um significativo aumento do contágio via transmissão sangüínea, principalmente entre os usuários de drogas injetáveis. Nessa etapa a doença, já com características de epidemia, passou a atingir também pessoas com baixa escolaridade, iniciando-se o processo de pauperização da doença. A partir de 1992 até os nossos dias, iniciou-se a terceira fase caracterizada pela transmissão entre heterossexuais e o aumento de casos no meio feminino e da transmissão materno infantil.
Segundo a Unaids, em 1980, havia 200 mil infectados. Mas no meio da década, este número saltou para três milhões de pessoas e no final dos anos 80, a cifra já era de oito milhões.

O que é a Aids?
A Aids é uma doença sexualmente transmissível causada pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) por meio de sêmen e secreções vaginais, mas pode também ser transmitido pela via sangüinea e o leite materno.
O vírus HIV ataca o sistema imunológico do organismo enfraquecendo sua defesa contra doenças. Com isso, as infecções oportunistas como pneumonias, meningites, alguns tipos de câncer, a tuberculose e as hepatites do tipo B e C, se instalam no organismo de forma mortal. Estar infectado pelo vírus não significa ter Aids. As pessoas que têm o vírus HIV (soropositivas), vivem normalmente sem apresentar os sintomas da doença.
O vírus HIV não sobrevive muito tempo fora organismo e nem contagia pelo contato físico como aperto de mão, abraço ou beijo. Ele não é transmitido pela saliva, respiração, tosse, picadas de mosquitos e outros insetos. Nem mesmo alimentos manipulados por pessoas infectadas oferecem riscos de contágio. 
A única maneira de saber se uma pessoa está infectada é por meio do exame anti-HIV. Apesar dos avanços no tratamento e pesquisas, a Aids ainda não tem cura. A melhor forma de combatê-la ainda é a prevenção. Nada de transar sem camisinha ou compartilhar seringas e agulhas hipodérmicas.

A Aids no Brasil
De acordo com dados do Ministério da Saúde, a Aids no Brasil, até dezembro de 2002, já registrava 257.780 casos, sendo que 185.061 em homens e 72.719 em mulheres. Esses números não param de crescer. Para cada três casos notificados, um corresponde à mulher.
A maior incidência da transmissão do vírus HIV nos homens, se dá através das relações sexuais (58%), com prevalência de 25% nas relações heterossexuais. O contágio pela cópula bissexual representa 11,4%, contra 21,7% das relações homossexuais. A Segunda maior forma de transmissão da Aids entre os homens é através do uso de drogas injetáveis.
Nas mulheres a transmissão do vírus HIV se dá, na sua grande maioria, pela via sexual (82%), seguida do uso de drogas injetáveis (12,4%). A transfusão de sangue e a transmissão materno-infantil (aleitamento) têm menor peso no contágio.

A mulher é mais vulnerável
Desta vez a natureza não foi camarada com a mulher ao colocar sobre os seus ombros a carga maior na questão da Aids. Nas relações sexuais desprotegidas, o risco de infecção é quatro vezes maior para a mulher do que para o homem. Fisiologicamente a vagina comparada à uretra masculina apresenta mais desvantagens por causa da área de tecidos mais suscetíveis ao contágio. Além disso, os micros traumatismos que acontecem durante a relação sexual, tornam a mulher mais vulnerável ao vírus HIV, uma vez que a concentração viral no esperma é maior do que nas secreções vaginais.
No início da epidemia os homens eram os mais afetados, mas atualmente no Brasil, essa relação está quase empatada. Para cada dois homens infectados, uma mulher é contagiada. Em regiões onde o as condições sócio-econômicas são precárias a situação é mais grave, com as mulheres tomando a dianteira nesta triste realidade.
Outro fator que agrava a situação da mulher é negociar com o seu parceiro o uso de preservativo na hora da relação sexual. Quase sempre ela perde a parada para o machismo e acaba engrossando as estatísticas da Aids.

Os jovens e a Aids
Nenhum segmento populacional tem contribuído tanto para a evolução da epidemia quanto os jovens. O sexo sem proteção passou a ser a brincadeira preferida de crianças e adolescentes, segundo a Unesco (Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura). A Unaids, órgão das Nações Unidas, responsável pelas políticas para a Aids, mostram que 11,8 milhões de jovens entre 15 e 24 anos de idade são portadores do vírus HIV em todo o mundo.
Esse número equivale a aproximadamente 1% da população jovem do planeta, estimada em 1 bilhão. Mais da metade dos novos registros de contaminação pelo vírus HIV, algo em torno de seis mil casos por dia, ocorre entre os jovens. Estatísticas apontam que 50,7% das alunas entrevistadas no Município do Rio têm alguma amiga grávida na escola. Outra pesquisa, realizada na Mangueira, revela que das 150 meninas ouvidas entre 10 e 14 anos, 112 fizeram pelo menos um aborto. Com os meninos o descuido é preocupante: quase 60% não usam camisinha porque não têm acesso aos preservativos.  
Esses dados reforçam importância da tese que defende ações direcionadas aos jovens e de uma política de esclarecimento, principalmente na área da prevenção. Apesar da maioria dos jovens já terem ouvido sobre o HIV e suas formas de contágio, eles não tomam medidas efetivas para se proteger. Esse comportamento é próprio da idade, segundo especialistas. Os atributos físicos, psicológicos e sociais os tornam vulneráveis ao contágio e outras infecções sexualmente transmissíveis. Esse tem sido o maior obstáculo no combate à Aids entre esse segmento da população.
A melhor arma para os jovens lutarem contra a epidemia é a informação. Quanto mais, melhor.

O Preconceito
O maior sofrimento para uma pessoa portadora do vírus HIV, ainda é o preconceito. A intolerância e a discriminação têm sido os maiores inimigos na guerra contra a Aids. Uma pessoa soropositiva, mesmo sem desenvolver a doença, acaba tendo a sua vida afetiva, social, sexual e profissional alteradas de forma violenta por causa do preconceito. Nem as crianças estão escapam.
O estigma e o preconceito representam um grande obstáculo na luta pela prevenção e combate à Aids. Muitos soropositivos se isolam do mundo e não procuram apoio psicológico e atenção médica por medo do preconceito.
O direito legítimo das pessoas portadoras do HIV continuarem a viver normalmente, deve ser exercido como um dever de cidadania, tanto na sociedade civil como no Estado. Infelizmente, a pior doença para quem tem Aids, é a doença social e cabe a todos nós erradicá-la.

Leis sobre Aids
REMÉDIOS PARA AIDS SEM IMPOSTOS
Um dos maiores obstáculos para o tratamento da Aids é o preço dos medicamentos. Os portadores do vírus HIV têm recorrido à Justiça para conseguir remédios grátis ou com preço mais em conta. Só para se ter uma idéia, o Envirase, produzido pelo laboratório Roche, nome fantasia da substância saquivanir, que compõe com o ritovanir, o indinavir e o 3TC, o “coquetel de drogas” que revolucionou o tratamento da Aids, custa em média R$ 800,00.
Com relação ao preço a Lei nº 3.158/98, de autoria do deputado estadual Roberto Dinamite, que autorizou o governo a isentar medicamentos para tratamento e combate a Aids, corrige a distorção que existia.
 Reconhecendo que o valor ainda é alto para os padrões do nosso País, mas poderia custar muito mais, não fosse a isenção de ICMS, um privilégio mais do que justo.

Programa de prevenção
Nos últimos anos o vírus HIV tem se alastrado pelo mundo inteiro. A imunodeficiência imunológica tem ceifado vidas humanas em inúmeras famílias e o Brasil não foi poupado.
Infelizmente, o nosso país ocupa o terceiro lugar de casos de AIDS notificadas em todo o mundo. Até meados de fevereiro de 1995, foram verificados oficialmente 72.515 casos de AIDS, segundo o Ministério da Saúde, sendo que desse total 60% pertencem a São Paulo e em segundo lugar vem o Rio de Janeiro, com pouco mais de 10 mil casos. Cientistas, médicos, organizações não-governamentais e toda a sociedade organizada, têm lutado intensamente para encontrar a solução do problema.
Roberto Dinamite deu a sua contribuição ao criar a Lei nº 2.483/95, que dispõe sobre a criação de programas de prevenção da Aids e doenças sexualmente transmissíveis em todo o estado do Rio de Janeiro, inclusive dentro do sistema penitenciário estadual e extensivo a todos os familiares dos detentos.


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